Dividir para reinar: duas mulheres podem muito mais

As Patrícias quebraram uma crença poderosa: a de que mulheres são competitivas e jogam em times contrários. Não é o caso da Pontalti e da Parenza. Juntas, as duas têm casamento longo, e elas vão nos contar quantas DRs tiveram na vida para manter viva a parceria até hoje.

As Patrícias são Pati Pontalti e Pati Parenza. Uma, quarentona, mãe da Clara, de sete anos. Outra, cinquentona, mãe do Lorenzo, de 13. Jornalistas de moda desde guriazinhas, como se diz na terra dessa dupla. Há 15 anos juntas, as Patis já aprontaram de tudo, criaram o primeiro site de moda do Sul, que segue firme e forte, o www.aspatricias.com.br, a primeira empresa de conteúdo de moda do RS, também são consultoras de moda para empresas, curadoras de estilo, criadoras de projetos especiais para mulheres, se reinventaram mil vezes, são transgressoras, “rebeldonas” e feministas cheias de vontade de deixar essa mulherada mais feliz com a moda. Ah! E acham que a idade não define mulher alguma!

FF – Como vocês duas resolveram (e o que é resolver, né?) essa sociedade que perdura?

Acho que, antes de qualquer sociedade profissional, existe o amor. A gente sempre se curtiu como amigas, se admirou como mulher, gostamos da companhia uma da outra, temos prazer em estar juntas, em compartilhar, em viver juntas. Nossa relação é de coração, de alma. E respeitamos nossas diferenças, nossas particularidades, nossas personalidades, e esse é o segredo também da boa relação profissional. A gente acredita muito que se complementar é essencial para nossa sociedade. Cada uma tem o seu papel, aliado a uma forma de pensar parecida, mas com funções distintas. Isso é muito bom para os negócios, cada uma age em uma frente.

FF – Como vocês levam essa dinâmica de trabalho que inclui duas mulheres com suas histórias, filhos, maridos?

A gente se respeita muito, inclusive, os limites uma da outra. Não vivemos grudadas fisicamente, estamos sempre próximas e sintonizadas em pensamentos, desejos, perspectivas, quereres, mas cada uma tem sua vida sozinha, sua forma de se relacionar individual, sua rotina. Nos encontramos para crescer, projetar, realizar, celebrar.

FF – Como ajustar as diferenças? Em algum momento, vocês acharam que não havia mais como ter continuidade a parceria de vocês duas? Aliás, essa parceria deve ter mudado muito ao longo do tempo, certo? Como foi isso?

Pode até parecer exagero, mas poucas vezes em nossa trajetória enquanto dupla tivemos problemas de relacionamento. Contamos nos dedos as brigas. Acho que o fato de cada uma saber bem o seu papel e respeitar o da outra é essencial para que essa parceria perdure, cresça, transforme-se de um jeito orgânico, natural. Curiosamente, também mudamos, amadurecemos, crescemos juntas, cada uma a seu modo, mas também de um jeito muito semelhante, mantendo o que é fundamental para toda boa relação: admiração, companheirismo, compreensão, incentivo.

FF – Duas mulheres podem se ajudar mesmo ou ainda estamos no reino dos desejos?

Acho que podemos nos ajudar muito, tanto duas quanto três, quatro, muitas. Mulheres podem e devem se ajudar, mas talvez isso ainda não aconteça com o potencial real. Estamos exercitando, mas estamos melhorando todos os dias e devemos celebrar esse crescimento, essa compreensão de como podemos mais quando nos damos as mãos.

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