Mulher é um assunto  com altos e baixos.  Céu e inferno convivem nem sempre com empatia.  Somos capazes de odiar.  E podemos odiar com amor. E amar é verbo que dobra a esquina e pode  encontrar a mais profunda raiva.    Um bicho que sente dor e levanta para alimentar outros bichos é o que? Uma mulher. Uma terrível e maravilhosa mulher.  Mulher não precisa de poder.  Isso é coisa de homem. Que acha o máximo ter um falo.  Mas ainda não basta. É preciso subjugar,  pisar no pescoço,  bater, dizer que está no topo, apontar arma. E cadê o falo seu moço?  Não era essa a  tua arma? Que machismo é esse?  Quando falo  de machismo  não falo de representantes do  sexo masculino, não. Falo de um sistema tão enraizado que  não tem gênero. Mulheres podem ser terrivelmente machistas. Cruéis com outras mulheres, com os filhos, com os homens.  E temos homens que são equilibrados. Que amam as mulheres, as desejam. Mas, não precisam domar, dominar. A não ser com consentimento.  Homens assim tiveram uma mãe que soube olhar para dentro de si  e buscar a humanidade necessária para entender até o que a oprimiu. E sacar a arma da coragem de amar  para dar ao filho homem a possibilidade de  sentir as mulheres na suas complexidades. Esse sobe e desce. Essa inconstância tão definidora. Pode parecer doidice. Não é. É humanidade  eriçando  pelos,  saindo  pelos  poros e veias latejantes.  Tudo isso aqui escrito para dizer que a Fala Feminina não fala de mulheres. Fala de um novo jeito de olhar o mundo. O partido da Fala é o Humanismo de Ghandi, Mandela, Martin Luther King, Madre Tereza. No Brasil Rose Marie Muraro, Maria da Penha, Leila Diniz,  Pagu.

O movimento da Fala é de propor  às mulheres  serem ouvidos umas das outras. No processo da Fala e da Escuta poderemos  ter a  conscientização. Promover escolha que são só suas. Somos apenas uma ponte, um elo que pode juntar toda e todos e outros mais  

Quem é mãe sabe que se paga um preço alto pela chegada de um filho, no sentido literal e no não literal. Vivemos coisas que ninguém é capaz de nos contar. Nem nossas próprias mães. Talvez porque, dos múltiplos sentimentos e experiências, o que realmente fique são as coisas boas. E dar a luz, acompanhar o desenvolvimento de uma criança, depois os avanços e percalços da adolescência e da vida adulta é algo de uma beleza inigualável, quando dentro do que se diz padrão de normalidade”, claro. É amor, doação, entrega total. Na maioria das vezes, nos entregamos tanto, que jamais voltamos a ser as mesmas. Ainda assim, enfrentamos todos os dilemas de uma sociedade historicamente patriarcal.

Diante de tantos conflitos internos e externos, existem mães que amam incondicionalmente seus filhos, mas odeiam ser mães. Sofrem discriminação, porém, não mentem e pedem compreensão, empatia e principalmente transparência sobre maternidade. 

Existe uma mística de que mãe e mulher não são compatíveis. Mãe não faz sexo, quem faz sexo são as mulheres. Onde está a origem disso? Na igreja católica, quando a Virgem Maria fica grávida de Jesus, ela fica grávida porque um anjo apareceu, engravida sem fazer sexo. Ela não tem culpa, é uma mãe imaculada. Então, na cabeça das mulheres, temos mães imaculadas como a Virgem Maria, mulheres que fazem sexo são como a Maria Madalena que é a mulher livre, solteira e que não tem filhos. Esses arquétipos fazem parte do nosso imaginário. A mulher que faz sexo, é livre, não casa e não tem filhos é uma mulher que “não presta”.

“Crianças, mãe faz sexo sim”. Goza, se diverte, ri, sofre, chora. Ser mãe é só um de tantos papéis assumidos pela mulher. É a missão que mais exige, expõe as vulnerabilidade, debilita, atormenta. Ao mesmo tempo, é a mais importante, pois é a origem, a continuidade da nossa espécie, esperança de transformação da sociedade. Só que é um peso que não pode, nem deve ficar apenas no colo das mulheres.

Com diferentes maneiras de viver a maternidade, conheça um pouquinho das experiências da Bianca, da Dóris, da Lurdete, da Lara, da Márcia, da e da  Karina. Elas serão as primeiras de muitas mulheres que passarão por aqui para falar sobre ser mãe. Maternidade, alias, será uma editorial fixa da Fala Feminina. Certamente vamos nos reconhecer nessas histórias!