Comportamento

Vivendo a impermanência em família

Tanise Pacheco, 49 anos, mora em Braga (Portugal) com os filhos Nathan e Cauan, 21 e 17 anos, respectivamente, e o marido Marcus, 50 anos. Sua jornada fora do Brasil começou em setembro de 2019, devido à busca por segurança, para abrir um leque de oportunidades para os filhos e pela facilidade para visitar outros países. Depois de anos de carreira como professora de Teatro, amada pelos alunos, inclusive, optou por ser dona de casa e dedicar-se integralmente à família e colocar em prática os planos de conhecer a Europa. Mais uma vontade postergada devido a pandemia.  “Não sou mulher jovem, nem estudante. Não sou solteira e sou mãe de filhos adultos. Portanto o meu relato é de um ponto de vista bem específico e, acredito, privilegiado”, comenta Tanise. A seguir, sua fala.

Hoje não está em nossos planos o retorno ao Brasil (pra morar), mas gosto de salientar que ESTOU em Portugal, assim como posso estar em outro país. Não sou árvore para criar raízes. Tenho plena consciência da impermanência de tudo.

Tanise e o marido Marcus

Em Portugal me senti acolhida. Assim como sempre me senti no meu país de origem. Acredito, sinceramente, que o acolhimento depende também de nós… de respeitar e compreender as diferenças, que nunca são poucas. Hoje, passados os meses de deslumbramentos (quando a gente se surpreende com tanta coisa boa nesse país e só quer falar disso) consigo visualizar a vida que escolhi com mais maturidade e a certeza de que fizemos a coisa certa é diária, apesar dessa situação pandêmica.

Ser mulher estrangeira é mais difícil. Eu sinto que preciso impor um respeito maior.

Que preciso focar em fazer as coisas certas, inclusive quanto a linguagem: falar as coisas certas. Percebe-se isso no olhar das pessoas. Aquele olhar julgador. Estar fora do seu país exige coragem e resiliência. É como ser visita na casa de alguém que tu nunca foi. 

Ser mulher é um desafio diário. Nascemos num mundo masculino. Num mundo feito para os homens. Com oportunidades maiores para eles. Tenho consciência disso, apesar de tantas conquistas de direitos no decorrer do tempo. Ainda há muito que conquistar.

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