Durante séculos, repetiram para nós que éramos frágeis, emocionais, exageradas, difíceis de entender.
Repetiram tanto que muitas de nós começamos a acreditar.
Acreditamos quando baixamos o tom de voz numa reunião com homens.
Acreditamos quando hesitamos em fazer uma pergunta simples — como se o conhecimento deles fosse mais legítimo que o nosso.
Acreditamos quando nos desculpamos antes de falar.
Acreditamos quando confundimos força com arrogância, autonomia com ingratidão.
Mas a verdade é outra.
E nós sabemos.
Somos nós que sustentamos casas, carreiras, empresas, filhos, pais e até o emocional de muita gente.
Somos nós que seguramos o que ninguém vê.
Somos nós que inventamos caminhos quando a vida fecha portas.
Somos nós que transformamos ruínas em recomeços.
E ainda assim, insistem em nos chamar de frágeis.
Frágil não é a mulher.
Frágil é o sistema que treme quando uma mulher decide existir em voz alta.
Frágil é a estrutura que cai quando ela diz “não”.
Frágil é o mito que desmorona quando paramos de pedir desculpa por ser quem somos.
Hoje, mulheres de todas as idades — principalmente as maduras, que já viveram três vidas em uma — estão cansadas das mentiras que insistem em nos contar.
Cansadas de caber.
Cansadas de se ajustar.
Cansadas de se silenciar.
Cansadas de duvidar de si mesmas.
A boa notícia?
Estamos, finalmente, dizendo basta.
E quando uma mulher decide se contar com a própria voz, não há mito antigo que sobreviva.
As mentiras não nos servem mais.
A verdade, sim: somos potentes, complexas, múltiplas e inteiras.
E estamos apenas começando.
Qual mentira sobre mulheres você cansou de carregar?
Por Fátima Torri