O puerpério e os desafios de ser mãe

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A solidão do puerpério

E são naqueles momentos que a gente se sente totalmente desconectada, momentos que resolvemos rezar, pedir ajuda a Deus, e ele, prontamente, traz respostas claras em menos de uma hora. Isso prova que ele está sempre ali, dentro de nós, mas nós esquecemos disso no meio de tanta correria.

Eu estava me sentindo exausta, terminado de me curar de uma virose e sentindo na pele o peso de estar doente pela primeira vez desde que me tornei mãe. Coincidentemente minha mãe, que é a minha maior rede de apoio, estava viajando nesta semana. Retomei os atendimentos no consultório porque precisava voltar a me sentir um pouco viva. Atendi apenas dois pacientes neste dia, busquei a pitoca na casa do meu sogro e voltei dirigindo para casa com as lágrimas escorrendo no rosto.

Queira apenas um dia “de folga” da maternidade, mas isso “não existe”, ainda mais quando a bebê ainda é amamentada e precisa inclusive dessa “teta” para melhorar da mesma virose que eu, inevitavelmente, acabei passando para ela.

No carro, após alguns minutos do tradicional choro no bebê conforto, ela magicamente dormiu e eu resolvi seguir andando de carro sem destino para que ela fizesse uma soneca um pouco mais prolongada. Aos poucos, ao olhar para o Guaíba e pedir ajuda ao meu Eu Superior, o meu choro também foi acalmando. Resolvi seguir o trajeto por toda orla, apreciando a vista. Lembrei de parar em uma Igreja no bairro Assunção que tem uma significado importante pra mim. Estacionei ali, mas a Igreja estava fechada. Rezei do lado de fora mesmo, agradeci pela minha vida, pela vida da minha filha e pedi mais clareza.

Ela acabou acordando e foi aí que tive a ideia de irmos no shopping, já que tínhamos passado uma semana de molho em casa. Neste shopping tem um espaço bem legal para crianças e também vários locais gostosos para sentar e fazer um lanchinho. Pensei então que merecia um doce e fomos até uma das docerias. Lá encontrei ao acaso uma antiga professora de faculdade que tem uma história de superação de vida e de maternidade incrível, um exemplo de resiliência e de força. Ela está lutando contra o câncer de mama pela segunda vez, a primeira foi durante a gestação do filho, que agora está com 5 anos.

Ao ver o sorriso dela parece que todas as minhas angústias se tornaram pequenas perto de tudo que ela já viveu e está vivendo.

Neste mesmo local tinha uma mulher sozinha, plena, tomando seu cafezinho e comendo uma torta. Eu senti uma certa inveja! Cheguei a pedir meu bolo, mas comi correndo sem nem mesmo apreciar. Minha filha está em uma fase que não para quieta, queria andar por todo o espaço, o que por um lado era um ótimo sinal. Estava voltando ao seu normal e recuperada da virose (a bichinha foi bem mais forte do que eu).

Saímos da doceira e fomos para a pracinha. Ao chegarmos lá tinha um menino se divertindo em um dos cavalinhos. O menino estava sendo cuidado pelo pai e a pitoca quis brincar no cavalinho ao lado do menino. Passaram-se alguns minutos e chegou aquela mulher que estava plena na doceira. Ela era a mãe do menino. Ali me caiu a ficha, ou melhor, me caíram todas as fichas.

Existem problemas de saúde bem maiores que uma virose. Eu também posso me permitir tomar um café na sua plenitude, desde que eu seja capaz de delegar e pare de esperar que seja expontâneo.

 

Simone Bach é Fisioterapeuta pela PUC-RS, Nutricionista pela UFRGS e Mestre em Ciências da Reabilitação pela UFCSPA.
Criou o canal Cozinha Bach no YouTube em 2014, com o objetivo de ensinar receitas práticas, planejamento alimentar, compartilhar dicas de nutrição e armazenamento de alimentos. Mãe da Betânia que está com 15 meses. Não abre mão da comida de verdade, de um chocolatinho pós almoço e das suas sessões de terapia quinzenais. Utiliza a escrita para potencializar os entendimentos trabalhados com a terapeuta.

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