A maternidade não começa no nascimento de um filho. Ela começa antes: no desejo, na expectativa, no medo. E, muitas vezes, ela recomeça quando uma filha se torna mãe e uma mãe se torna avó. Neste episódio do FalaCast, Fátima Torri recebe a jornalista e escritora Fernanda Pandolfi e sua mãe, Eliana Pandolfi, pedagoga e psicóloga, para uma conversa que atravessa gerações e revela como a maternidade se transforma, mas nunca perde sua essência.
O encontro parte de uma pergunta simples e poderosa: o que muda quando uma mãe vê sua filha viver aquilo que ela já viveu. Eliana descreve a experiência de ser avó como uma segunda chance de amar:
“É como amar o filho de novo, só que com mais tempo, mais paciência, mais calma”, conta.
Mas esse amor ampliado não vem sozinho, ele carrega também memória, comparação e, principalmente, presença. Durante o puerpério da filha, ela esteve ali todos os dias. Não para cuidar do bebê, mas para cuidar da mãe. E é nesse ponto que o episódio se aprofunda.
Fernanda fala com honestidade sobre um puerpério difícil, marcado por depressão pós-parto e uma sensação comum, mas pouco dita: o choque de entender que não há mais volta.
“Tem um momento em que tu pensa: não tem mais como voltar atrás”, relata. A maternidade, nesse sentido, não é só transformação, é ruptura.
Ao longo da conversa, fica evidente o que muitas mulheres sentem, mas nem sempre conseguem nomear: cada maternidade é única, inclusive dentro da mesma família. Há diferenças geracionais, mudanças culturais e, principalmente, novas formas de viver o papel de mãe.
Se antes a presença era quase exclusiva, hoje ela se divide com trabalho, rede de apoio e a necessidade de manter uma identidade própria. Fernanda traz esse conflito com clareza ao falar sobre a decisão de ter uma babá:
“A babá não é para o Frederico, é para mim”. Uma frase que revela uma mudança importante: cuidar de si também é cuidar do filho.
A conversa também passa por temas que atravessam o cotidiano das mulheres: a culpa, a sobrecarga, a necessidade de pausa, a importância da rede de apoio. E mostra como, mesmo com todas as transformações sociais, algo permanece: a intensidade.
Porque ser mãe continua sendo “um atropelamento com fraturas múltiplas”. A gente se recupera, mas nunca mais volta a ser a mesma.
Há ainda espaço para o inesperado. Fernanda compartilha um episódio marcante durante as enchentes, quando, em meio ao desespero pela falta de água e fórmula para o filho, seu corpo voltou a produzir leite espontaneamente. Um gesto instintivo, quase animal, que revela a dimensão profunda da maternidade, para além da razão.
E, no fim, talvez o que mais toque seja o que fica entre as falas: o reconhecimento. Quando uma filha vira mãe, ela começa a entender a mulher que existia antes da mãe. E isso muda tudo.
“Agora eu te entendo”, diz Fernanda.
Uma frase simples, mas que carrega gerações inteiras de silêncio, esforço e amor.
Confira o episódio completo no canal da fala Feminina no YouTube: https://youtu.be/qM5MubKZZGc