“Eu tenho muito orgulho de ser essa reitora estranha”

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Márcia Barbosa

Capricorniana, reitora, pesquisadora, militante e mulher. Márcia Barbosa não é o estereotipo que esperamos ao pensar em cientista. Muito além do laboratório explosivo, dos cabelos brancos arrepiados e do ar de “maluco”, ela prova que a ciência pertence as mulheres e ultrapassa o visual e jeito de ser. Ela é complexa, cheia de camadas, ela combate diariamente os preconceitos por apenas ser quem é e faz tudo isso com um grande sorriso no rosto.

Mesmo com uma carreira consagrada e reconhecimento internacional, a física teórica Márcia Cristina Bernardes Barbosa segue enfrentando desafios que vão muito além da ciência. Reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e uma das vozes mais respeitadas do país, ela construiu uma trajetória marcada por excelência acadêmica, premiações e protagonismo em um dos campos mais masculinizados do conhecimento. Ainda assim, sua história revela uma realidade persistente: o quanto é difícil, para as mulheres, ocupar e sustentar espaços de poder. No novo episódio do FalaCast, Márcia conversa com a jornalista Fátima Torri sobre os bastidores dessa caminhada.

“Eu tenho que ser muito boa no que eu faço. Ser boa não é o suficiente, porque sou mulher” – Declara a reitora.

Entre relatos de experiências vividas ao lado de grandes nomes da ciência, ela compartilha situações que, embora possam soar surpreendentes, são familiares a muitas mulheres que chegam a posições de liderança. O reconhecimento, muitas vezes, não vem desacompanhado de questionamentos, resistências e até desconforto diante de sua presença.

Com uma postura firme, direta e sem concessões, Márcia reflete sobre o incômodo que mulheres em posição de comando ainda provocam, especialmente quando não se moldam às expectativas impostas. Seu jeito, sua autoridade e sua trajetória desafiam estruturas que, historicamente, não foram desenhadas para incluí-las.

A conversa percorre temas como desigualdade de gênero, os limites invisíveis que ainda cercam o ambiente acadêmico e profissional, e a coragem necessária para não recuar. Mais do que falar sobre ciência, o episódio revela o custo de ocupar espaços e a importância de permanecer neles.

Ao trazer sua experiência, Márcia Barbosa não apenas ilumina uma realidade compartilhada por tantas outras mulheres, como também reafirma uma urgência: não basta abrir portas. É preciso garantir que elas permaneçam abertas — e que as mulheres possam atravessá-las, ocupar seus lugares e serem reconhecidas, sem precisar justificar, a todo momento, o direito de estar ali.

Confira o episódio completo: https://youtu.be/BlCyuw0bNGE

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