Os amigos dos filhos também são rede de apoio

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Os amigos dos filhos também são rede de apoio

Existe um momento da maternidade que raramente é discutido. Passamos anos acreditando que somos as principais responsáveis pela formação dos nossos filhos. E somos, claro. Mas chega uma fase em que outras pessoas passam a ocupar espaços que antes eram exclusivamente nossos: Os amigos deles.

Recentemente, ao reencontrar um grupo de jovens que acompanha meus filhos desde a adolescência, me dei conta da dimensão que essas amizades tiveram na vida deles. Alguns já são pais, outros construíram suas famílias. Todos carregam no rosto os sinais do tempo, das escolhas e das experiências vividas.

E, ao observá-los, percebi algo que talvez muitas mães sintam, mas poucas consigam nomear, aqueles amigos também ajudaram a criar os meus filhos.

Eles estiveram presentes em momentos que eu sequer conheço por completo. Compartilharam inseguranças, sonhos, medos, descobertas, paixões, decepções e conquistas. Foram companhia em fases em que os pais já não conseguem alcançar todas as perguntas nem compreender todas as inquietações. Cresceram juntos, atravessaram vestibulares, formaturas, inícios de carreira, relacionamentos, términos, dúvidas sobre o futuro e decisões que moldariam quem seriam como adultos. E permaneceram.

Num tempo em que as relações parecem cada vez mais frágeis e descartáveis, existe algo profundamente bonito em ver amizades que resistem. Pessoas que continuam se escolhendo apesar das agendas lotadas, dos filhos, do trabalho, das responsabilidades e da correria da vida adulta. Talvez porque as amizades construídas na juventude carreguem uma espécie de memória compartilhada. Elas conhecem versões nossas que ninguém mais conhece, guardam histórias que nem sempre contamos aos nossos parceiros, aos colegas de trabalho ou aos próprios filhos. São testemunhas da nossa construção.

Para uma mãe, existe uma emoção silenciosa em assistir a isso. Olhar para homens e mulheres adultos e ainda conseguir enxergar, por trás deles, os adolescentes que passavam tardes inteiras dentro da nossa casa. Aqueles que dividiam lanches, videogames, confidências e sonhos. Eles cresceram, mas, de alguma forma, continuam ali.

A maternidade nunca é uma obra individual. Ela é feita da família, dos professores, dos exemplos que cruzam o caminho dos nossos filhos e, especialmente, dos amigos que os acolhem quando já não cabemos em todas as suas dores, dúvidas e descobertas. Por isso, quando vejo amizades que atravessam décadas, sinto gratidão. Porque sei que os meus filhos não chegaram sozinhos até aqui. E porque, no fundo, cada mãe sabe: há pessoas que não geraram os nossos filhos, mas que ajudaram a formar os adultos que eles se tornaram. E isso também merece ser celebrado.

 

Por Fátima Torri

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