A Minha Mãe: quando mãe e filha se encontram

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Leti e Marcia Stuchi

Há algo na relação entre mãe e filha que nunca cabe inteiramente nas palavras. Talvez porque ela seja feita menos de explicações e mais de permanências, dessas coisas que seguem existindo mesmo quando tudo muda de lugar.

No encontro entre Márcia e Letícia Stuchi, o que se vê não é apenas uma história familiar, mas uma construção diária de vínculo. Uma relação que atravessa o tempo, atravessa fases, atravessa também a ideia de certo e errado sobre como se deve ser mãe ou filha.

Letícia cresceu sob o olhar de uma mãe que se define como leoa. Presente, intensa, atravessada por uma ideia de proteção que, muitas vezes, também é limite. Márcia, por sua vez, veio de uma geração em que o afeto existia, mas nem sempre era dito. Em casa, aprendeu a amar com mais silêncio do que conversa. E talvez por isso tenha escolhido fazer diferente com os próprios filhos.

Entre elas, a maternidade não é teoria, é prática cotidiana. É o almoço que se compartilha, a viagem que se faz juntas, a rotina que se mistura até o ponto em que trabalho e vida deixam de ser coisas separadas. Mas também é conflito, diferença, ajuste de rota. Crescer junto exige isso.

Quando Letícia decide transformar a própria vida em narrativa pública, algo se desloca. A família deixa de ser apenas um espaço íntimo e passa a ser também linguagem. O que antes era vivido dentro de casa passa a ser visto por muitos. E, paradoxalmente, quanto mais exposta essa relação se torna, mais ela revela sua essência: não há filtro capaz de apagar o que é genuíno quando o vínculo é real.

O que chama atenção não é a ausência de conflito, mas a permanência do vínculo apesar dele. Há uma espécie de negociação contínua entre autonomia e pertencimento, entre o desejo de seguir caminhos próprios e a necessidade de manter a raiz.

Talvez seja isso que mais ecoa nessa história, a ideia de que maternidade não é um estado fixo, mas um movimento, ela muda quando a filha cresce, muda quando a mãe envelhece, muda quando a vida atravessa as duas ao mesmo tempo.

No fim, o que fica não é a imagem de uma família idealizada. É algo mais complexo e, por isso mesmo, mais humano. Uma relação que não busca perfeição, mas presença. E que, nesse exercício diário de se reconhecer uma na outra, encontra sua forma possível de amor.

Assista ao episódio completo nesse link: https://youtu.be/iv7QFyHEauw?si=fGVL5mW5R05HqwD_

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