As mentiras que nos contaram – e que seguimos acreditando

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Fátima Torri

Durante séculos, repetiram para nós que éramos frágeis, emocionais, exageradas, difíceis de entender.

Repetiram tanto que muitas de nós começamos a acreditar.

 

Acreditamos quando baixamos o tom de voz numa reunião com homens.

Acreditamos quando hesitamos em fazer uma pergunta simples — como se o conhecimento deles fosse mais legítimo que o nosso.

Acreditamos quando nos desculpamos antes de falar.

Acreditamos quando confundimos força com arrogância, autonomia com ingratidão.

 

Mas a verdade é outra.

E nós sabemos.

 

Somos nós que sustentamos casas, carreiras, empresas, filhos, pais e até o emocional de muita gente.

Somos nós que seguramos o que ninguém vê.

Somos nós que inventamos caminhos quando a vida fecha portas.

Somos nós que transformamos ruínas em recomeços.

 

E ainda assim, insistem em nos chamar de frágeis.

 

Frágil não é a mulher.

Frágil é o sistema que treme quando uma mulher decide existir em voz alta.

Frágil é a estrutura que cai quando ela diz “não”.

Frágil é o mito que desmorona quando paramos de pedir desculpa por ser quem somos.

 

Hoje, mulheres de todas as idades — principalmente as maduras, que já viveram três vidas em uma — estão cansadas das mentiras que insistem em nos contar.

 

Cansadas de caber.

Cansadas de se ajustar.

Cansadas de se silenciar.

Cansadas de duvidar de si mesmas.

 

A boa notícia?

Estamos, finalmente, dizendo basta.

E quando uma mulher decide se contar com a própria voz, não há mito antigo que sobreviva.

 

As mentiras não nos servem mais.

A verdade, sim: somos potentes, complexas, múltiplas e inteiras.

E estamos apenas começando.

 

Qual mentira sobre mulheres você cansou de carregar?

 

Por Fátima Torri



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