Filhos do ventre e do coração

Adoção é um processo de amor, muito amor. Quando acontece na hora certa, quase como um milagre, como no caso da Ana Borgo, torna-se uma daquelas histórias que a gente não pode deixar de compartilhar.

Muitas mulheres, quando jovens adultas, ficam com uma pulga atrás da orelha sobre “estar tudo em ordem para poder engravidar”. No caso da Ana Lucia Borgo, 52 anos, de Canoas (RS), apesar de descobrir uma obstrução nas trompas na adolescência, somente mais tarde soube que não poderia ter filhos não fosse por fertilização in vitro. “Confesso que não lembro de ter recebido uma notícia tão dolorosa na minha vida”, garante Ana Lucia. Passado o choque, iniciou tratamento gratuito, novo ainda no Brasil, no Hospital de Clínicas. “Mas era custoso e muito sofrido”, define.

Foram três longos anos de tratamento e seis fertilizações. A quarta, em princípio foi um sucesso, até o aborto espontâneo 30 dias depois do teste positivo. Duas tentativas depois, desistiram e entraram na fila para adoção. Após um ano de espera, foram presenteados com a Anna Clara. “Felizes com a benção de termos um filho, seguimos a vida.  Após três anos, ao realizar exames de rotina, ‘surpresa’, eu estava com nove semanas de gestação.  Mais um presente, uma linda menina. Sonho de ser mãe completamente realizado, satisfação total”.

“Eu posso afirmar com todas as letras, para quem tem medo da adoção… Não tenham! Não existe diferença alguma em filhos gerados no coração ou no ventre, o amor é o mesmo, independente da cor, raça ou sexo”, ressalta Ana.

Chegada das filhas

“Quando nós desistimos das fertilizações e resolvemos entrar nesse mundo desconhecido da adoção, não conhecíamos ninguém que tivesse adotado um filho. Fomos os desbravadores, os pioneiros no processo”, relata. Ela conta ainda que se fossem escutar os comentários, teriam desistido. “Ouvíamos cada história triste de filhos adotados que maltratavam os pais idosos, que roubavam, que entraram para o mundo das drogas.” O casal não se deixou levar.

A fila de espera para adoção é de no mínimo 5 anos. Esperar parecia ser a única alternativa. Mas foi um sonho com a vó materna informando que a família aumentaria que alimentou as esperanças de Ana. No mesmo dia, soube por uma colega de trabalho sobre uma gestante que estava procurando alguém para dar seu filho, mas que a criança poderia nascer negra. “Como se isso fosse algo impeditivo pra nós, porque sou de origem italiana, imagine!”, comentou. Menos de um mês depois, em 07/04/2006, nasceu Anna Clara.

Alguns sonhos e coincidências depois, passaram-se dois anos e meio e Ana, aos 40, suspeitava de sintomas de menopausa. Para sua surpresa, estava na verdade com nove semanas de gestação. Aí vinha a Mariana.

“Eu digo para minhas filhas, que foi tanto amor que eu senti pela Anna Clara que curou meu corpo espiritual e eu pude engravidar da Mariana e comprovar que amor é amor, seja filho do coração ou filho biológico, não existe pouco amor ou muito amor. O amor é único e inesgotável”, finaliza a mãe hoje realizada.

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