Seu lugar é onde ela está

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Camila Benin da Rosa, 32 anos, é gaúcha e mora na Irlanda, onde trabalha como customer service. Já conheceu 28 países, uma boa parte quando trabalhou em um cruzeiro por oito meses. Já tentou voltar para o Brasil, mas a vontade de rodar o mundo foi maior. E não vê pretexto para retornar “do jeito que as coisas estão”. Seu lugar? Onde estiver. Ela nos conta um pouco de sua experiência como cidadã do mundo.

Minha jornada fora do Brasil teve início em 2012, quando aos 22 anos decidi passar um tempo na Austrália para aprender inglês. Era pra ser um curso de seis meses, mas me apaixonei pelo país e decidi ficar mais. Após dois anos morando lá, achei que era a hora de voltar para o Brasil. Quando retornei, começou uma fase bem confusa na minha vida. Apesar de estar na minha casa, cercada pela minha família e amigos, era como se eu não pertencesse mais àquele lugar. A famosa ‘síndrome do retorno’. Fiquei uns 10 meses no Brasil e decidi que era hora de me jogar no mundo de novo. 

De lá fui trabalhar em um navio de cruzeiros onde fiquei por oito meses. Voltei pra Austrália por mais dois anos, depois morei um tempo em Portugal e agora estou morando na Irlanda. 

Acredito que ser mulher fora do Brasil é um pouco mais fácil do que ser mulher no próprio país.

No geral, me sinto muito mais segura para vestir o que quiser e andar na rua sozinha, e não passo por situações frequentes de assédio como acontecia no Brasil. Acho que de todos os países que já passei, a Austrália foi o que mais me senti tranquila e bem tratada. Na Europa eu ando ‘mais alerta’, mas ainda assim é bem tranquilo.

Ser mulher é uma luta constante entre o que queremos ser e o que a sociedade espera que sejamos. É lutar para que nossos direitos e vontades sejam ouvidos e respeitados, e entender que somos livres para fazer o que quisermos. Atualmente a situação do Brasil me faz querer construir minha vida fora do país”. 

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